A nova pesquisa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em parceria com a Nexus, revela uma mudança consistente no comportamento ambiental do brasileiro. De acordo com o levantamento, 59% da população afirma cuidar do meio ambiente de forma constante, distribuídos entre 39% que realizam essas práticas “sempre” e 20% que fazem isso “frequentemente”. O dado confirma uma inflexão cultural importante: a sustentabilidade deixou de ser um discurso aspiracional e passou a integrar rotinas diárias.
O que o brasileiro já faz no cotidiano
As práticas sustentáveis mais disseminadas têm relação direta com economia doméstica e impacto perceptível no orçamento familiar. Entre as ações mais citadas estão:
- Separação de resíduos para reciclagem (62%).
- Economia de água (40%).
- Redução do consumo de energia elétrica (29%).
Essas escolhas se mantêm porque trazem resultados imediatos, são simples de implementar e não exigem investimento inicial elevado. A combinação entre ganho econômico e impacto ambiental explica a forte adesão.
Intenção, custo e o desafio da adoção plena
Apesar da crescente consciência ambiental, o estudo aponta limites claros. Embora 55% dos entrevistados utilizem sustentabilidade como critério de compra e 36% afirmem que “sempre” optam por produtos mais verdes, 28% reconhecem que o preço ainda é um obstáculo. Outros levantamentos recentes reforçam esse cenário.
Pesquisas da Kantar mostram que 87% dos brasileiros desejam consumir de forma mais responsável, mas apenas 35% conseguiram alterar seus hábitos. Já o Instituto Akatu identificou que 57% consideram o consumo sustentável caro, percentual acima de diversas médias globais.
Esses dados demonstram que o principal desafio não é a falta de consciência, mas a diferença de preço entre produtos sustentáveis e convencionais, somada à falta de informação clara sobre impacto ambiental.
Diferenças geracionais e capacidade de adoção
A pesquisa ABDI/Nexus revela um contraste que chama atenção. Entre pessoas com mais de 60 anos, 54% afirmam adotar práticas sustentáveis de forma constante. Já entre jovens de 16 a 24 anos, o índice cai para 26%. Essa diferença não indica desinteresse; ao contrário, estudos da Deloitte mostram que a geração mais jovem apresenta maior preocupação ambiental, porém enfrenta poder de compra reduzido. Dessa forma, a intenção não se converte em ação pelo mesmo fator que limita o consumo sustentável no geral: custo.
Percepção sobre empregos verdes e expectativas futuras
A transição para uma economia de baixo carbono também está modificando a percepção sobre mercado de trabalho. Segundo o levantamento, 75% dos brasileiros acreditam que o avanço da economia verde criará novas vagas, e 54% esperam que esse movimento gere “muitos empregos”. O dado indica que a sustentabilidade não é vista apenas como um comportamento individual, mas como parte de um processo estruturante de desenvolvimento econômico.
Uma mudança já em curso e suas implicações
A soma desses indicadores revela um país em transformação. Há consciência ampla, intenção real e práticas concretas. Ao mesmo tempo, persistem gargalos relevantes, como percepção de preço elevado, falta de estruturas de coleta seletiva e escassez de informação confiável sobre impacto ambiental.
O comportamento sustentável se fortalece, impulsionado por fatores culturais, econômicos e climáticos. Para empresas e instituições, isso significa oportunidade estratégica: oferecer produtos, serviços e soluções que conciliem sustentabilidade, transparência e acessibilidade.
O papel da EcoFusion Expo nesse cenário
Diante dessa transição, a EcoFusion Expo 2026 se posiciona como ponto de convergência entre comportamento cidadão e transformação industrial. O evento reunirá empresas, governos, investidores e especialistas para transformar tendências sociais em mudanças estruturais.
A agenda da feira contemplará temas como consumo sustentável, infraestrutura verde, inovação industrial e financiamento climático. O objetivo é conectar a crescente consciência ambiental do público brasileiro a oportunidades práticas de desenvolvimento econômico para organizações, cadeias produtivas e territórios.
Uma visão sobre o momento brasileiro
O Brasil vive uma fase decisiva na construção de uma cultura sustentável. A população demonstra engajamento crescente, reconhece a importância do consumo responsável e enxerga a transição verde como motor de geração de empregos. No entanto, a consolidação plena desse movimento depende de políticas públicas, ampliação de infraestrutura, redução de custos e atuação coordenada entre empresas e instituições.
A EcoFusion Expo 2026 nasce justamente para apoiar essa transição, oferecendo um espaço onde conhecimento, inovação e negócios convergem para transformar consciência em impacto real.
Fontes utilizadas
- Pesquisa ABDI/Nexus (2025): práticas sustentáveis, critério de compra e expectativas sobre empregos verdes.
- Kantar Sustainability Sector Index (2025): lacuna entre intenção e comportamento.
- Instituto Akatu e GlobeScan (2023): percepção de custo no consumo sustentável.
- Deloitte Gen Z and Millennial Survey (2025): preocupações ambientais por faixa etária.
- Datafolha (2024): hábitos de reciclagem e infraestrutura disponível.
- PwC Brasil e Instituto Locomotiva (2024): percepção sobre mudanças climáticas e consumo.

